Quantas palavras em silêncio?

 

 

E aquele senhor?

E aquele senhor?

Quantas palavras terei eu pronunciado em silêncio quando aquele senhor deixou de me ouvir?

É engraçado como uma realidade, como a referida, ausência fisíca de um interlocutor, é tão semelhante com a realidade de ausência mental de alguns interlocutores!

Acaba por ser, esta última, divertida, quando dela temos consciência.

É um pouco “estou a falar para ti, e, tu…, nada!!”

“A mim nunca me aconteceu. Não porque eu não me disatraia. Porque quando me distraio é mesmo para me divertir! Sempre tenho ouvidos para as pessoas! E digo-te mais, até os ruidos eu sinto!”

Não sei quem proferiu tantas palavras sem sentido, ou algo parecido, mas que se ouvem com frequência, é verdade.

Eu sabia que, “o saber ouvir” era coisa só de alguns. Até me diziam que era preciso treinar muito, como fazem os campeões.

De facto julgo que saber ouvir, não é uma competência, talento ou habilidade inata.

Antes de mais passa pela necessidade de existir uma vontade. Vontade e consciência da utilidade e de respeito pelo interlocutor. Depois de facto, podemos treinar a atenção,isto é,  se não tivermos preguiça.

Não perdendo de vista ou de ouvido o nosso interlocutor e, usando a nossa assertividade quando, a conversa não nos interessa, para dizer – “esse asunto não!”. Uma palavra que me é dirigida carece de retorno como “aquele Bom dia!” quer um “olá!”.

Doutra forma estamos a cultivar o menosprezo e a indiferença e tal como a água e um pão também a palavra não se nega.

São felizes as pessoas que contactam com “benditos pachurrentos”, “aqueles” que ouvem, até mais do que uma vez, a mesma coisa.

Treina-se o ouvido, reagindo com racionalidade aos ruídos que constantemente nos atropelam. Ninguém gosta de sofrer, a não ser, talvez, os masoquistas!!

Será que o “talvez”, aqui, tem outro sentido?

Se eu sei que vou ficar irritado, tenho duas opções ou, fico mesmo,ou reformulo o estímulo e reduzo-o a uma nota musical.

Para quem tem uma experiência de vida desenvolvida, muitas vezes compões verdadeiras sinfonias.

Tantas vezes eu não respondo à chamada, centrado em pensamentos que

Até as flores chamam por mim!

O silêncio é uma arte, e até um negócio. Como numa orquestra é preciso saber as pausas a efectuar num andamento, ou quando pretendo ser convicto e se recebem objecções, é nos silêncios que está a  imagem de marca.

Assim como quem quer, passar por ponderado e “sábio”, vai imprimindo intensidade no discurso, repentinamente recortado pelo olhar no vazio, qual procura mais profunda da sabedoria , qual evocação da musa, silêncio cortado e retoma conversa.

Este não é o silencio da arrogância, nem tão pouco o da ignorância, é o silêncio da compreensão, da espera e  da aceitação.

Há ainda o silêncio falado, com os meus botôes, resultante de convivências prolongadas, quase sempre traduzido por:

Outra vez!?…Eu…

– Que estás a pensar?

– …

Hã!? …Sim, estou a ouvir! 

Todos eles muito coloridos.

Há silêncio temporário e silêncio duradouro, mas, o melhor de todos é o eternamente grato. 

Schiuuuu!!!!silencio

Uma resposta

  1. Há quanto tempo dura o teu silêncio?

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