Momentos do silêncio

Socorro, estou a falar sozinho!

Para nós não é aceitável que um processo de comunicação não tenha como objectivo produzir informação capaz ser transformada em conhecimento.

Mas quantas palavras, terei eu pronunciado em silêncio quando aquele senhor deixou de me ouvir?

Afinal tudo aquilo que disse, não passou de reflexão em voz alta!

É engraçado como uma realidade, como ausência física de um interlocutor, é tão semelhante com a realidade de ausência mental de alguns interlocutores!

Acaba por ser, esta última, divertida, quando dela temos consciência.

É um pouco “estou a falar para ti, e, tu…, nada!”

É assim todos os dias, em qualquer organização, onde o que mais falha é o feedback.

“A mim nunca me aconteceu. Não porque eu não me distraio. Porque quando me distraio é mesmo para me divertir! Sempre tenho ouvidos para as pessoas! E digo-te mais, até os ruídos eu sinto!”

Não sei quem proferiu tantas palavras sem sentido, ou algo parecido,  mas que se ouvem com frequência, é verdade.

Eu sabia que, “o saber ouvir” era coisa só de alguns. Até me diziam que era preciso treinar muito, como fazem os campeões.

De facto julgo que saber ouvir, não é uma competência, talento ou habilidade inata.

Antes de mais passa pela necessidade de existir uma vontade. Vontade e consciência da utilidade e de respeito pelo interlocutor. Depois de facto, podemos treinar a atenção, isto é,  se a vontade existir.

Não perdendo de vista ou de ouvido o nosso interlocutor e, usando a nossa assertividade, quando a conversa não nos interessa, para dizer – “esse assunto não!”.

Uma palavra que me é dirigida carece de retorno como aquele “Bom dia!” quer um “olá!”.

Doutra forma estamos a cultivar o menosprezo e a indiferença e tal como a água e um pão também a palavra não se nega.

São felizes as pessoas que contactam com “benditos pachorrentos”, “aqueles” que ouvem, até mais do que uma vez, a mesma coisa.

Treina-se o ouvido, reagindo com racionalidade aos ruídos que constantemente nos atropelam. Ninguém gosta de sofrer, a não ser, talvez, os masoquistas!

Será que o “talvez”, aqui, tem outro sentido?

Se eu sei que vou ficar irritado, tenho duas opções ou, fico mesmo, ou reformulo o estímulo e reduzo-o a uma nota musical. Para quem tem uma experiência de vida desenvolvida, muitas vezes compões verdadeiras sinfonias.

Tantas vezes eu não respondo à chamada, centrado em pensamentos que até as flores chamam por mim!

O silêncio é uma arte, e até um negócio. Como numa orquestra é preciso saber as pausas a efectuar num andamento, ou quando pretendo ser convicto e se recebem objecções, é nos silêncios que está a  imagem de marca.

Assim como quem quer, passar por ponderado e “sábio”, vai imprimindo intensidade no discurso, repentinamente recortado pelo olhar no vazio, qual procura mais profunda da sabedoria, qual evocação da musa, silêncio cortado e retoma a conversa.

Este não é o silêncio da arrogância, nem tão pouco o da ignorância, é o silêncio da compreensão, da espera e  da aceitação.

Há ainda o silêncio falado, com os meus botões, resultante de convivências prolongadas, quase sempre traduzido por, “o tempo que eu não ganhei”!

Estas palavras são passíveis de aplicação, no local de trabalho de qualquer pessoa em qualquer organização e, não são passíveis da gestão de conhecimento através das TIC, por estarem carregadas de semântica.

Faça o seu silêncio e depois diga-me como se sente!

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