Archive for Março, 2010

Redes sociais- Imitação e o elogio da diferença
Março 31, 2010

Comportamentos de imitação e de diferença

Entre os comportamentos aprendidos os que melhoram a sobrevivência são imitações.

São notórios os comportamentos de imitação que observamos quando alguém sente que a sua vida está em risco. Se uma pessoa foge de algo que considera perigoso, logo um grande número de pessoas imita o comportamento e foge também, sem sequer se ter apercebido do risco ou do suposto risco.

Mas há limites no comportamento de imitação quando se trata de auto-estima e prazer pessoal.

Geralmente os comportamentos são imitados se a pessoa a imitar, tem um estatuto elevado ou é portador de confiança. Nestes casos trata-se de copiar e não de imitar face ao risco.

A imitação tem que dar algum benefício e esses benefícios podem ser para aumentar a sobrevivência, o sexo, o poder, a auto-estima, ou simplesmente o gozo pessoal.

Geralmente as pessoas, como têm a capacidade de pensar, lembrar o passado e projectar o futuro, usam diversos graus de imitação para atingir os seus objectivos.

Quanto maior for o benefício, maior é a possibilidade de imitação.

As pessoa que “tendem” a viver com poça auto-estima, não são dadas a grandes imitações. Aqueles que procuram manter e reforçar a auto-estima, tendem a comportamentos de imitação, que podem passar pela aparência física e pelo comportamento, que a pessoa a imitar, tem.

À medida que a idade avança, a necessidade de imitação diminui e eventualmente é substituída pela necessidade de ser modelo. Os pré-adolescentes e adolescentes, são as faixas etárias mais vulneráveis à imitação.

Nos jovens adultos começa a desenhar-se um vontade de diferenciação, um estilo próprio, que podendo manter um conjunto de características comuns com outros, apresenta aspectos claros de diferenciação.

Os adultos tornam-se muito mais selectivos, e decidem ou não o que imitar.

A imitação só funciona se estiver ligada a um forte apelo, que é naturalmente emocional.

Hoje com as novas tecnologias e com as redes sociais, assistimos a episódios de imitação muito alargados. As pessoas por necessidade de uma maior proximidade e sem se sentirem constrangidos por censuras de proximidade, tendem a imitar comportamentos observados nas interacções que estabelecem.

Há então dois caminhos a seguir, para quem quer diminuir comportamentos de imitação:

Encontrar uma identidade própria e desenvolvê-la no sentido de criar um patamar de auto-estima seguro e mantendo um equilíbrio com o meio envolvente ou,

Procurar cultivar a diferença e, possivelmente evoluir para modelo a imitar, seja ele a que nível for aceitando os papéis que criou ou que foram postos à sua disposição.

Imite e escreva!

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Contar a história da minha ideia!
Março 30, 2010

O relato do nosso futuro

Se olharmos para trás e percorrermos os momentos de que nos queremos lembrar, damos conta que o que aconteceu deu origem ao que somos hoje.

Não importa a atribuição de responsabilidades pelos bons e maus momentos, porque esses momentos foram vividos e deixarem um rasto que assinala o caminho percorrido.

Uma história é um facto envolto numa emoção que obriga a uma acção que transforma o nosso mundo.

Verdade é que ao fazermos esse relato, olhando para o passado, ele não surge sempre da mesma maneira. Haverá alturas em que o passado parecerá mais sorridente e outras em que os maus momentos prevalecem.

Mas se olharmos para o futuro e quisermos fazer o nosso relato, o relato do que vai acontecer, também não evitamos o passado. O passado determinou o caminho até aqui, e condiciona a tomada de decisão para o futuro, quanto mais não seja pela negação de vivências desagradáveis, que não devem ser repetidas.

É a construção da nossa história!

Aquele acidente de automóvel que sofri, sem danos físicos, vem à memória e lembra que no futuro, ou não compro um carro com aquelas características, ou ando mais devagar!

Desta forma o nosso relato torna o futuro menos incerto porque nos previne e nos dá ferramentas para desenvolver o nosso projecto.

E se o nosso projecto é fazer com que a nossa ideia seja adoptada por outros então contamos uma história convincente.

Podemos complementar os dados numéricos a apresentar com exemplos, histórias, metáforas e analogias para tornar as nossas posições vivas. A utilização da cor dada pela história conjugada com uma linguagem da palavra viva, empresta uma qualidade convincente e tangível ao nosso ponto de vista.

Nós sabemos contar a nossa história como emoção e somos capazes de a transmitir a quem nos ouve. Com a história da ideia passa-se a mesma coisa, contamos a nossa ideia de dentro para fora e fazemos com que todos os elementos se encaixem uns nos outros, para que o efeito seja máximo e provoque as emoções que procuramos nos outros.

Uma ideia que se pretende inovadora, por exemplo, tem de ser transmitida com paixão. É o calor dessa paixão que faz vibrar os nossos ouvintes, leitores ou espectadores.

A história tem um herói que está sempre presente na história, e que não é o relator. Um herói que está sempre a olhar para os nossos interlocutores.

A história contem a adversidade, que é necessário ultrapassar. É o anti-herói mascarado de barreira ou dificuldade. É familiar da objecção de quem nos ouve.

A história tem momentos e alguns são para reflectir, chamar a consciência, a razão de forma a fazer prevalecer a nossa ideia.

A história é mudança e transformação. É a incorporação de um desejo, que transforma um incrédulo num seguidor.

Ao contar histórias sobre as nossas ideias, colocamo-nos a par de quem os ouve ou nos lê, criamos um sentimento de confiança que permite o desenvolvimento da ideia e fazemos com que os outros façam parte da nossa história.

Conte lá!

Conveniências de esquecimento!
Março 28, 2010

A conveniência ou não conveniência do esquecimento

 

Quem será que nunca, repentinamente, esqueceu de algo?

Mas esquecer, repentinamente, de algo com frequência pode ser devido a muitas circunstâncias!

A memória, social ou individual, determina-se fazendo selecções sobre o material que se tem à disposição, que podem ser prévias, isto é orientados por interesses, ou selecções posteriores, no sentido de satisfazer a operacionalidade ou a funcionalidade dos elementos guardados.

 

A memória existe porque nós a constituímos, ao negar o desaparecimento do presente, isto é, guardamos a informação para a voltar a consagrar como presente ao relembrar.

Nós temos uma tendência para esquecer factos ou eventos ao longo do tempo, a que chamamos transitoriedade e, é muito provável que esqueçamos a informação, logo a seguir à apreensão. Este facto faz que com a memória tenha a oportunidade de gerir a qualidade da informação e “esquecer” o lixo absorvido.

Por vezes confunde-se este aspecto “transitório” com um sinal de debilidade, mas no fundo o que estamos a fazer é a arrumar as gavetas ou pastas da informação.

Outro tipo de esquecimento com que nos deparamos no nosso quotidiano é fruto da distracção. Aqui o nosso cérebro não codifica a informação de forma segura e surge o esquecimento.

Este esquecimento é “praticado” por indivíduos que esquecem a caneta, a reunião ou a toma de medicamentos. É perfeitamente eliminável.

A nossa memória também não ajuda quando sentimos a resposta na ponta da língua e não somos capazes de a pronunciar. A este tipo de esquecimento, chamamos o bloqueio, ou a incapacidade temporária para recuperar a memória. O bloqueio ocorre quando a memória está devidamente armazenada no cérebro, mas algo o impede de encontrar a informação.

Entre as falhas da memória podemos encontrar ainda outros tipos de anomalias como a falta de atributos na infirmação como alguns pormenores ou origem. Isto pode explicar a inocência na atribuição errada de autoria de factos. É uma questão de atribuição de autoria que resulta de mau armazenamento na memória.

Na nossa memória, as nossas percepções são filtradas pelos nossos preconceitos pessoais, em relação a experiências passadas, crenças, e conhecimentos adquiridos e prévios, e pelo nosso estado de espírito no momento da recepção da informação.

Os nossos preconceitos afectam as nossas percepções e experiências quando elas são codificadas no cérebro e, ao relembrar os acontecimentos a imagem recebida é influenciada por esses preconceitos dando origem ao esquecimento de conveniência.

Hoje existe tecnologia que permite estudar a função cognitiva e prevenir situações de esquecimento que pode ser extremamente prejudiciais à nossa vida.

PET scan pode detectar o declínio no metabolismo da glicose associado com diminuição da função cognitiva, particularmente nos lobos temporais e parietais localizadas nas laterais e na parte posterior do cérebro, as regiões associadas com a formação da memória e da linguagem. Pesquisadores na UC Berkeley pesquisadores estão a descobrir que a imagem cerebral é uma promessa como um método de detectar sinais precoces da doença de Alzheimer.”

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Conhecimento, Cultura e tecnologia
Março 26, 2010

Criar conhecimento e redes

A utilização eficaz do conhecimento e da aprendizagem exigem cultura e tecnologia. Embora a tecnologia existente hoje seja mais que suficiente para transmitir e armazenar dados, a informação daí resultante só tem significado quando inserida num contexto cultural.

A informação explícita pode ser facilmente inserida numa base de dados, no entanto, essa informação não é muitas vezes a mais relevante para a eficácia de uma organização. O que é verdadeiramente relevante para a organização, existe sob a forma de um sistema complexo, sensível ao contexto.

Esse é o conhecimento, que encontramos em indivíduos, grupos ou organizações e que resulta das suas conexões.

As redes enquanto vistas pelo prisma de máquinas e acessórios, apenas servem de suporte, no entanto sem uma boa gestão dessas ferramentas não conseguimos rentabilizar as trocas de informação que resultam da actividade dos indivíduos participantes nas redes, sejam elas internas à organização sejam globais.

Uma organização tem de ser vista de várias perspectivas e, desde logo, pela forma como são constituídos os seus agrupamentos e relações de poder. Um mapeamento de uma organização permite visualizar os fluxos internos e externos de informação, bem como os espaços não tocados por esses fluxos.

Nos tempos em que os fluxos de informação eram mais direccionados e com menos volume, quase só se levantava a questão do custo de transmissão e armazenamento, hoje dada a quantidade de informação disponível e a sua acessibilidade, importa sobretudo avaliar a sua qualidade e pertinência.

Querer saber sobre alguma coisa tem muito mais impacto do que procurar aprender sobre ela.

O conhecimento requer validação, bem como a capacidade de prever e trabalhar os resultados.

As redes e a tecnologia que lhe está inerente, permitem de facto a recolha e transmissão maciça de informação. Mas isso só por si não chega, é necessário que “as comunidades de saber” se confrontem com novas formas de recolha de dados, novas ferramentas para manipular e armazenar informações, e fundamentalmente novas formas de colaboração no conhecimento, atendendo à distância e ao tempo.

As grandes vantagens antecipadas que se prevêem, com essas novas ferramentas, são a atribuição de um maior significado ao conhecimento resultante da colaboração entre equipas interdisciplinares, que tornando-se coesas, permitem o tratamento de problemas complexos que habitualmente são tratados com equipas disciplinares.

A interdisciplinaridade encontrada nas redes, para além de promover a abertura a novos conceitos e enquadramentos, permite a aproximação, das tradicionais “sedes de conhecimento”, aos naturais beneficiários, os utilizadores, e que são parte activa na validação da informação transmitida e recolhida.  

O conhecimento acaba sempre por ser centrado no interesse das pessoas, sendo estas inclusive, quase sempre, as cobaias de validação desse conhecimento.

E as redes sociais trazem conhecimento?

Bloqueios sociais à criatividade?
Março 24, 2010

Quantas vezes aquele bloqueio me surpreende?

 

 

Umas vezes querendo mostrar o nosso conhecimento, outras tentando encontrar uma solução para um problema, deparamo-nos com bloqueios mentais.

A ansiedade aumento e a nossa resposta tarda cada vez mais. Isto acontece por várias razões e uma delas é o meio ambiente em que estamos inseridos.

Não podemos esquecer o nosso passado e se o ambiente proporciona imagens menos boas desse passado, reagimos de forma inadequada.

Se queremos ser criativos, e encontrar uma solução para um problema, temos que dar um salto para um ambiente favorável.

O meio ambiente pode ser de apoio, mas também pode ser uma obstrução e, nós podemos deliberadamente criar um ambiente pleno de estímulos criativos, ou pelo menos apenas muito relaxante.

Os ambientes criativos podem variar com as pessoas e estados de espírito, de modo que podemos querer experimentar como nos sentimos e verificar se construímos um ambiente, o mais eficaz possível.

 

As pessoas são por natureza altamente sociais e nós, como pessoas com facilidade reagimos à presença de outras pessoas e até mesmo, só de pensar que alguém pode observar-nos, ficamos bloqueados.

A sociedade competitiva de que fazemos parte, é fértil em juízos de valor e, pode facilmente levar-nos a avaliar os outros e às suas ideias, mesmo quando estamos consciente de que o procedimento não é correcto.

Nós funcionamos, perante os outros com segurança psicológica quando aceitamos a pessoa, quando usamos empatia e não as avaliamos

Mas nós também temos a liberdade psicológica de pensar, sentir e contribuir plenamente.

No fundo, somos nós mesmos, que originamos a maior parte dos bloqueios, especificamente o nosso subconsciente, quando não nos alerta para as armadilhas do pensamento convencional, retirando-nos a liberdade de criar.

É o nosso passado, construtor exímio de sinais proibidos e luzes amarelas e vermelhas, que nos impede de circular pela estrada da imaginação e criatividade. São regras, normas e outros dissabores que, se por um lado são bons constrangimentos, por outro inibem a nossa capacidade criativa. É a lógica em detrimento da emoção e da intuição.

Os bloqueios são todos internos, mas sabemos que o meio ambiente, incluindo as pessoas que nos rodeiam, principalmente aquelas que emocionalmente condicionam a nossa vida.

Vistas bem as coisa a criatividade como a maior parte das vezes a aceitamos é uma ilusão. Tendemos a aceitá-la como uma actividade muito própria quando ela é resultado de interacções sociais.

Algumas culturas ao longo da História têm promovido a criatividade mais do que outras, criando condições propícias à produção criativa.

No século XXI assistimos a mais um ciclo em que algumas culturas procuram promover a criatividade enquanto outras apenas reclamam a subsistência.

Uma questão de bloqueio? Comente!

Percepção subliminar ou não!
Março 23, 2010

Girando em volta das pulseiras magnéticas

O que poderá existir de comum entre pulseiras magnéticas para aliviar o stress e as mensagens subliminares para comprar uma determinada bebida?

A percepção subliminar é a capacidade do ser humano de captar de forma inconsciente mensagens ou estímulos fracos demais para provocar uma resposta consciente.

O termo percepção subliminar foi originalmente usado para descrever situações em que os estímulos fracos foram percebidos sem consciência. Nos últimos anos, o termo tem sido aplicado de forma mais geral para descrever qualquer situação na qual os estímulos são percebidos despercebidamente.

O conceito de percepção poderá ter algum interesse, porque sugere que os pensamentos das pessoas, sentimentos e acções são influenciados por estímulos que são percebidos sem nenhuma consciência desse facto.

Esta ideia não é validada pelos resultados de investigações controladas em laboratórios da percepção subliminar. Pelo contrário, os resultados de estudos controlados indicam essa percepção subliminar, quando ocorre, reflecte interpretações habituais de uma pessoa de estímulos.

Não há evidências que demonstrem que as pessoas realizam actos com base na percepção subliminar. As pessoas devem estar conscientes da percepção de estímulos, antes de iniciar acções ou ao reagir aos estímulos.

A percepção subliminar pode permitir fazer suposições sobre as características dos estímulos, mas não pode levar uma pessoa a beber a beber”A” ou a fazer”X”, e muito menos poder ser usada para modificar comportamentos ou criar competências.

Como é que essas ideias implausíveis podem adquirir tal manto de uma merecida respeitabilidade científica?

A resposta envolve uma complexa rede de interacções, agora facilitada pela Web2.0, e onde a facilidade de disseminação de dados e de atitudes públicas face à ciência permite a especulação.

Os silos académicos não se abriram e a comunicação com o exterior não é eficaz. Mantém-se um dialogo interno a par com o diálogo massificado pela Web.

 Carl Sagan sugeriu que floresce a pseudo-ciência porque a comunidade científica faz um trabalho pobre ao comunicar as suas conclusões.

As relações entre, a comunidade académica e os a comunicação social poderiam ser melhoradas se a primeira comunica-se com mais clareza os seus resultados. Eles têm de se esforçar para evitar fazer anúncios absolutos e aceitar que erram muitas vezes, principalmente quando não há validação.

Por vezes, ao falarem com hesitação ao desmentir os factos, os académicos subestimam a nossa confiança em algumas proposições que achamos que são verdadeiras e que outras são falsas.

Phil Merikle observou recentemente que “não é opinião unânime que as fitas subliminares são uma farsa completa e uma fraude”.

Mas afinal a publicidade com base na percepção subliminar dá ou não dá, resultado?

Os braceletes de cobre, tratam ou não tratam o stress e a artrite?

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A Intuição e os contadores de histórias!
Março 22, 2010

A intuição e os contadores de histórias

 

A intuição é uma demonstração não consciente de conhecimento que surge de forma imediata e não está disponível para processos de pensamento analítico ou racionais.

Esta indisponibilidade prende-se com a nossa incapacidade de encontrar uma justificação para certas tomadas de decisão a que chamamos intuição. Não se trata de instinto porque este não tem ligação com a experiência passada.

 

É de facto a mais refinada competência na aquisição de conhecimento e proporciona tremendas vantagens na resolução de problemas complexos.

 

A experiência, o conhecimento e os nossos sentidos alimenta a intuição que por sua vez ajuda na construção do senso comum.

 

Por ser uma boa fonte de senso comum a intuição, permite-nos com facilidade induzir conclusões e garantir assim um acumular de conhecimento empírico

Utilizar a intuição não significa encontrar respostas imediatas e adequadas a todos os problemas, mas permite-nos ao utilizá-la recorrer de experiências submersas mas importantes para a tomada de decisão.

A importância da intuição tem sido observada em muitas decisões que alavancaram inovação e negócios bem sucedidos, ao contar essas histórias estamos a transferir conhecimento tácito , que de outra forma não seria possível

As histórias giram em torno de cada um aspecto dessa coisa espinhosa que é a intuição.

Como é que nós confiamos e, em quem podemos depositar a nossa confiança? Como podemos questionar a autoridade, de um médico, de um membro da família, ou de um sistema?

Dois médicos, um velho e sábio, o outro, jovem e cansado, falharam ambos o diagnóstico da doença de Groopman num dia quente de 4 de Julho. Eles não falharam porque estavam mal preparados, mal-intencionados, ou por serem maus homens, mas sim, porque não ouviram os pais da criança. A criança só é salva porque os pais confiaram na sua intuição de, que algo está muito errado, e dessa forma procuraram a ajuda de outros. Um paciente é poupado a bastantes tóxicos da quimioterapia porque Groopman sente que há menos de errado com ele, do que o médico acha.

Ele lembra o ensinamento de um dos seus mentores escola médica, “Não basta fazer alguma coisa, é preciso estar lá.”

Paciência, lembra-nos ele, é a virtude que permite que outras virtudes floresçam. Um homem com melanoma metastático amplamente não ganha um lugar num estudo de tratamento experimental, os poucos pontos disponíveis são escolhidos por sorteio.

Ao paciente é dado uma terapia alternativa que não deve funcionar, como uma espécie de prémio de consolação. O tratamento que ele não recebe, visto como o “Santo Graal” pelos pesquisadores, revela-se um fracasso. O paciente Groopman tem uma resposta sem precedentes para a terapia alternativa, e vive há décadas para além do que se deve esperar de uma pessoa com a sua doença.

A mãe do homem interpreta isso como a vontade do seu anjo da guarda; Groopman fica mudo diante de uma “criação” que é tão impenetrável.

Groopman também menciona as orações a favor do um pai moribundo e um filho doente, e aquelas dos seus pacientes. Ele relata a morte de um paciente enquanto Groopman está ausente do hospital para serviços na alta Holiday. – Stories of Intuition and Choice in a Changing World of Medicine

A intuição não surge a qualquer hora, por vezes é preciso dormir um pouco.

 

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Diversidade não é divergência
Março 20, 2010

Quando as pessoas se juntam para pensar

Muita gente fala das vantagens do trabalho intelectual individual e em grupo, vantagens e desvantagens, mas pouca gente se detém a pensar em que tipo de ambientes em que tipo de grupos.

Sem querer contestar os direitos à comodidade de forma de pensamento parece-me interessante focar a criatividade e a tomada de decisão em equipas de uma só disciplina, equipas multidisciplinares e interdisciplinares.

O que se pretende abordar são as complexas questões psicológicas que surgem quando deparamos com equipas constituídas por membros com experiências e conhecimentos semelhantes ou diversificados. São as equipas multidisciplinares e as interdisciplinares.

Ao longo dos anos verificou-se um avanço na compreensão da cognição social e dos processos de grupo, e como resultados emergiram psicólogos preparados para liderar equipas interdisciplinares de investigação científica e noutras áreas em que o trabalho a realizar seja feito com equipas onde a diversidade de conhecimento é diversificada.

Mas vejamos algumas diferenças:

A investigação multidisciplinar é caracterizada pela agregação do trabalho de diferentes especialistas, isto é, pelos investigadores que se apresentam na equipa com os seus conhecimentos para resolver problemas e depois voltam para suas próprias áreas de trabalho, praticamente inalterados pela colaboração.

A pesquisa interdisciplinar, pelo contrário, é caracterizada por sinergias entre os especialistas de um determinado tópico.

Ao tentarmos abordar a criatividade nestes grupos face ao trabalho global verifica-se que, embora a inovação seja um dos benefícios potenciais das equipas interdisciplinares,  os grupos parecem ser menos criativos que os indivíduos.  

Se um grupo está a ouvir uma sugestão criativa de uma pessoa, os outros membros do grupo passam a canalizar os seus esforços cognitivos para ouvir, em vez de gastar essa energia nos seus próprios esforços (por ex: em brainstorming).

Podem até esquecer os aspectos em que pensaram, diminuindo dramaticamente os benefícios do número de respostas independentes de pensamento criativo gerado. O medo ou apreensão por possíveis avaliações podem provocar constrangimentos em alguns dos elementos da equipa e evitar que estes apresentem opções, mesmo que estas possam ser as melhores e, que são afinal as que o grupo mais precisa ouvir.

Um dos papéis de um líder numa equipa interdisciplinar é, tomar a iniciativa de introduzir a informação compartilhada, para encorajar outros a fazer o mesmo, e para alargar o debate sobre um tema para permita a discussão de todas as informações pertinentes.

Essa criatividade (do grupo) também pode ser melhorada, se a geração de ideias for feita individualmente antes das sessões de brainstorming. Cria-se assim um ambiente favorável para o que poderiam parecer à partida  ideias estranhas, e dá-se a devida importância aos diversos saberes manifestados pelos membros da equipa interdisciplinar.

Hoje ainda parece pouco aceitável o investimento em equipas Interdisciplinares, principalmente quando falamos de Inovação, mas este tipo de iniciativas parecem ser a atitude a aplaudir, para garantir resultados significativos em Inovação.

Acha que há diferenças?

Inovação em Conhecimento
Março 19, 2010

Inovar o conhecimento inovando o pensamento

O mundo é governado por ideias. As ideias de líderes de estados, as ideias de músicos e compositores, de filósofos e mestres de cozinha, etc.

Mas novas ideias carregadas de valor não têm como principal componente as novas tecnologias ou a saúde financeira desses pensadores. Elas são construídas na base do conhecimento.

A gestão do conhecimento, que já parece com uma certa idade, dada a velocidade a que manuseamos informação, aborda uma vasta gama de questões que envolve a gestão da informação, aquisição de conhecimento, partilha de conhecimento, cultura organizacional, aprendizagem organizacional, as organizações, as melhores práticas e a aprendizagem.

Aqui reside um problema e, quando identificamos um problema temos de encontrar uma solução que só pode ser inovadora.

O problema básico é que as pessoas que têm conhecimento profundo sobre um tema, por vezes, assumem que as outras pessoas têm que saber mesmo e isso pode levar a erros graves.

A inovação do conhecimento passa por encontrar novas formas de transformar o implícito em explícito.

Para muitos indivíduos e organizações, a inovação e a gestão do conhecimento já não são assuntos tabus ou questões de “caras”. São necessidades e um meio de sustentar a sobrevivência, o desenvolvimento económico e a competitividade.

Mesmo ao nível individual podemos assistir à construção de soluções para evitar insucessos, nas escolas, trabalho e grupos informais.

Hoje assistimos à criação de comunidades de conhecimento com a utilização das redes sociais e o que verificamos é que as interacções entre os utilizadores dão mais amplitude e profundidade ao conhecimento adquirido pelos seus actores.

O nível de análise e capacidade crítica aumentou ao longo dos últimos anos e o significado foi aculturado, isto é, há uma maior integração de algumas verdades na diversidade de culturas que se conectam.

As organizações formais, como as organizações são excelentes na promoção da cooperação, mas as comunidades de conhecimento são superiores a promover a colaboração, que é o processo mais importante em termos de inovação.

Em vez de se concentrarem no que estimula o desempenho em organizações formais, as comunidades de conhecimento informal procuram basear-se no conhecimento do passado, para encontrar as bases para o sucesso através da diferença.

O conhecimento das comunidades de conhecimento bem sucedidas, não as experiências fugazes que rapidamente crescem e subitamente desaparecem, resulta de uma vasta rede de alimentação e tem como característica fundamental a adaptabilidade à mudança.

Esta “Inovação em Conhecimento”, utiliza uma construção evolutiva da terminologia e não se prende ao vocabulário tradicional que limita a expansão do conhecimento.

Há novos termos, novos significados e maior proximidade entre as coisas e as pessoas.

Esta nova linguagem não padece de atributos estáticos como acontece na linguagem de discurso tradicional e onde a mudança acontece de forma evolutiva.

É necessária agora uma melhor compreensão, de como estas redes colaborativas incentivam a inovação, para melhor compreender o que impulsiona a inovação e como a podemos promover.

Conte-me a sua experiência com a net!

Pontes entre a percepção e o conhecimento
Março 17, 2010

Construir padrões

 

Todos os processos mentais derivam, em último caso, da percepção sensorial, isto é, dos sentidos da visão, audição, paladar, tacto, olfacto.

A percepção sensorial, por sua vez, é condicionada por quatro factores:

A sensibilidade do organismo.

O carácter ou a qualidade do estímulo.

O grau de impacto de experiência passada.

O conjunto, ou finalidade, do recipiente.

Este condicionamento difere naturalmente de indivíduo para indivíduo e de situação para situação, mas sem querer abusar de rotulagem, pode-se dizer que a padronização toca nalgum ponto comum a  todos estes elementos do processo de percepção.

Contudo é no impacto que a nossa experiência passada e acumulada que a padronização mais se enraíza

As novas experiências que trazem consigo inúmeras sensações, são comparadas e relacionadas com as experiências e registos acumulados ao longo dos anos. Não é por acaso que aquele sabor me faz lembrar o doce da minha avó!

Uma cara, uma melodia, um aroma são similares ou semelhantes dependendo do grau de conformidade com os padrões criados pela experiência passada.

Com o conhecimento assistimos um pouco à mesma procura de analogias para integrarmos informação e atribuir relevância e importância para imediata classificação e registo.

Sem alguma estrutura de relacionamento, ou seja, sem alguma espécie de classificação, a construção de padrão e a percepção de padrão, seriam impossíveis de serem comunicáveis.

Nós procuramos identificar a informação útil disponível e utilizamos quadros de referência para a classificarmos quando à sua validade e utilidade.

Mas é preciso, hoje com a quantidade de informação, disponível estabelecer pontes que permitam identificar padrões, globalmente aceites. As diversas culturas que a informação atravessa, produzem efeitos semelhantes aos verificados nas transcrições de documentos durante séculos.

Depois, para encontrar a essência da informação recolhida, é necessário destilar e reciclar todos os resíduos que lá se encontram imbuídos. Há transformações graves em significados pela tradução sem contexto.

É portanto necessário fazer perguntas, muitas perguntas, sem ofender os ouvidos do interlocutor.

É necessário saber o que ainda falta. Todos os dias irá faltar alguma coisa.

É preciso estar disponível para mais e mais informação.

Eu estou disponível! Informe-me!