Viver como uma criança nas Organizações

Ser criança nas Organizações! (parteI)

A propósito de um comentário neste blog, feito por Ana Neves, “… lançar a ideia de um quarto papel que, se desempenhado regularmente pelos colaboradores de uma organização, a poderão ajudar ainda mais na conquista de uma cultura de aprendizagem contínua: o de criança”, resolvi lembrar um pouco a criança que todos temos em nós.

– Todos nós fomos crianças e recordamos a alegria de o ser!

– Todos nós ouvimos crianças e vivemos a sua curiosidade!

– Todos nós observamos crianças e surpreendemo-nos com a sua criatividade!

– Todos nós precisamos de aprender a aprender!

– Todos nós gostávamos de nos adaptar à mudança como acontece com as crianças.

As organizações, das quais fazemos parte, não se podem restringir a lidar com o conhecimento como se este fosse uma escultura de Miguel Ângelo, que necessita apenas de manutenção, para além de satisfazer a nossa necessidade de contemplação estética.

É certo que uma obra de Miguel Ângelo representa muito mais que isso, porque para a realizar, desde a escolha da pedra à escolha das ferramentas e locais de trabalho, passando pela observação e reflexão, são necessárias muitas horas de aprendizagem e de investigação.

O conhecimento nas organizações representa um factor de competitividade que necessita actualização constante.

Os novos ambientes de negócios são caracterizados não só pelo rápido ritmo de mudança, mas também pela natureza descontínua da mudança. Este novo ambiente, pela sua dinâmica de mudança descontínua, requer uma revisão à conceptualização da gestão do conhecimento.

A necessidade de adaptação requer uma nova abordagem na aprendizagem e na aquisição de novas competências.

Há uns anos atrás os adultos eram os modelos de desenvolvimento de crianças, jovens e até mesmo adultos na progressão de carreiras, quando inseridos em organizações. Hoje não é necessário focar essas crianças e jovens como fonte de inspiração e de reflexão. É necessária uma inversão de papéis, que não passa só por aprender com as crianças, mas também passa, muitas vezes, pela aceitação de coaching das gerações mais novas. As novas tecnologias a isso obrigam.

As crianças são curiosas, observam, questionam e experimentam e com isso aprendem a construir o futuro e a encarar a adversidade.

Numa organização não faltam oportunidades, para desempenhar este papel, que nos permite ter uma maior compreensão dos problemas e encontrar com maior facilidade soluções para os resolver.

A falta de curiosidade, nos adultos, deve-se fundamentalmente, no meu ponto de vista, à vontade de manutenção da nossa zona de conforto. Curiosidade implica acção, implica o inesperado e pode implicar medo do desconhecido. Não se trata aqui da curiosidade mais comum nas organizações que se refere aos golos do dia anterior ou à cor do cabelo da princesa XPTO.

Curiosidade é uma etapa na descoberta de novo conhecimento.

Mas, as crianças não se ficam pela curiosidade. Ao experimentar novos movimentos, ao manipular objectos, ao combinar cores, as crianças encontram lugar para a diversão.

Os adultos, pelo contrário, estabelecem padrões de bom comportamento e determinam locais apropriados para a sua exibição.

São infelizmente demasiado ordeiros e protocolares. Negam a resiliência e gostam de enunciar os mandamentos que lhes foram ensinados. Hoje, mais que nunca, é útil deixar de ensinar como aprendemos e encontrar novas formas de desenvolver o bem estar com alegria e divertimento.

Muitos, dos maiores líderes do mundo, tinham e têm sentidos de humor impressionantes.

Não é de estranhar, portanto, que eu diga que as organizações deveriam preparar os seus líderes para criar um clima de diversão.

Nós só não nos divertimos, porque há um estigma associado à “brincadeira”, isto é, porque esta, é inadequada a um ambiente de trabalho profissional.

 

Por que é tão importante que as organizações ensinem os seus líderes a abraçar o que há mais divertido?

– Para aliviar a tensão e a pressão, aspecto que é fundamental para obter o máximo desempenho dos seus colaboradores.

Alguns estudos mostram que existe uma correlação directa entre estar fisicamente relaxado e a acuidade ou habilidade motora, a realização de tarefas, a interacção da equipa, geração de ideias, criatividade, etc.

Olhemos para um bom exemplo deste tipo de correlação.

Praticamente todos nós já assistimos a um jogo de basquetebol. Ao recordar um pouco o “nosso jogo”, facilmente um sorriso se solta ao ver a bola rodar entre os dedos de um jogador ou até damos uma gargalhada se o nosso jogador lança a bola para o cesto deixando o adversário perfeitamente desnorteado.

As imagens de um jogo de basquete, dão bem a ideia do que é a diversão no trabalho. Se os jogadores estão tensos mal entram em campo toda a sua agilidade representa divertimento e o relaxamento começa a fluir. Equipa que se diverte, triunfa.
Hoje já não há dúvidas que o humor e a diversão durante o trabalho não são uma opção, eles são fundamentais para a construção de um ambiente que impulsione o bom desempenho individual, da equipa e da organização.

 Conte lá como é, ou como foi!

Uma resposta

  1. A lógica dos mais pequenos, simples, descomplicada, sem preconceitos ou restrições impostas pela sociedade é maravilhosa de observar e um grande desafio para se imitar.
    Mas se calhar deviamos fazer um esforço.

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